Publicado por: jpmsantos | 13/03/2009

Capela de Santo António

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A capela de Santo António estava situada no largo da “Carvalha”, actualmente denominado largo de Santo António, nome dado precisamente por ser o local onde se erguia a dita capela. Este edifício era muito antigo, sabendo-se que a sua construção vinha já do século XVIII, conforme escritos existentes, datados de 1758, em que se faz referência a esta capela como “situada no cimo da vila”, dando a entender que, quando foi construída, o povoado de Loriga não existia para lá deste local.

Na década de 1880, a capela do Santo António, à semelhança da capela de Nossa Senhora do Carmo, passou a substituir a Igreja Matriz nos cultos religiosos por motivo desta ter ruído com um forte sismo que se fez sentir nesta região beirã.

A primeira Capela tinha alpendre e campanário, não tendo nada as ver com a capela que chegou aos nossos dias, precisamente até à sua demolição, ocorrida na década de 1970, aquando da modernização de todo aquele espaço envolvente. A construção de uma capela naquele local poderá estar relacionada com o facto de ter sido ali o antigo cemitério de Loriga. Depois da construção do novo e actual cemitério, nos últimos anos da década de 1890, e após total trasladação dos restos mortais, esta capela foi ficando em estado de degradação. Foi reedificada por altura do ano de 1920, sendo restituída ao culto em 1923. No entanto, em Junho de 1925 foi interdita pelo Prelado, interdição que durou até princípios de Maio de 1927. Nas últimas décadas da sua existência, foram poucas as actividades religiosas ali realizadas e, aos poucos, foi ficando degradada e mesmo abandonada. Já em projecto a respectiva demolição e com algumas obras a decorrer naquele local, esteve prestes a ruir completamente, pondo mesmo em perigo quem por ali passasse. Entretanto, a imagem de Santo António já há muito que tinha sido transferida para a Igreja Paroquial, onde hoje ainda se encontra. Foi ainda projectada a construção de uma nova capela num outro local, o que viria a gerar bastante polémica. Num local denominado de Fonte do Mouro, chegou mesmo a ser iniciada a respectiva construção, no entanto, pouco tempo depois, este projecto foi definitivamente posto de parte. p3130050

A Festa em honra de Santo António realiza-se todos os anos no fim-de-semana mais próximo ao dia 13 de Junho (dia de Sto. António). Para além do acto religioso, é também efectuada festa musical que decorre no jardim de Sto. António. As mordomias, nomeadas todos os anos, são constituídas geralmente por jovens, nomeadamente namorados, já que este santo é considerado o santo casamenteiro.

 

 

Publicado por: jpmsantos | 13/03/2009

Cruzeiros

Os dois Cruzeiros de Loriga.

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cruzeiro2 O primeiro Cruzeiro foi edificado em Loriga no Largo de Santo António, mais popularmente chamado Largo da “Carvalha”. A sua inauguração, com a respectiva bênção, ocorreu no dia 8 de Dezembro de 1940, com grande brilho, quer nas funções litúrgicas, quer no entusiasmo da freguesia e daqueles que tinham lutado para a sua construção. Este monumento foi um dos muitos construídos por todo o país, como monumento evocativo do “Oitavo Centenário da Fundação e Terceiro Centenário da Restauração da Pátria” como forma de gravar tais acontecimentos na memória das gerações vindouras. Todo ele em mármore e de rara beleza, era como uma sentinela naquele Largo, onde os ramos das grandes árvores o resguardavam do Sol. Ali se manteve, durante cerca de pouco mais de três dezenas de anos. Foi retirado daquele local na década de 70 com todo o cuidado, na ideia de, posteriormente, ser de novo erigido. No entanto, tal só viria a acontecer nos finais de 1998, ao ser reconstruído, não no mesmo lugar, mas sim num outro local de Loriga, desta feita no Largo da Fonte do Mouro, junto à actual sede da Junta de Freguesia.

 

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Quanto ao segundo cruzeiro, está edificado num local central de Loriga popularmente chamado “Carreira”. Centrado numa ideia concebida pelos antepassados Loriguenses, tornou-se num símbolo desta localidade ainda ali bem viva. No topo, eleva-se uma cruz granítica, como que sentinela de fé com pedras morenas, nuas e açoitadas pelos ventos, chuvas e sóis. Inúmeras gerações por ali passaram e se sentaram naquele pedestal. É uma relíquia simbólica e eloquente de antepassados, aureolado pelo simbolismo e fantasias lendárias, que representa uma realidade e uma esperança. Realidade, porque mostra a fé e o patriotismo daqueles que nesta vila viram a luz do dia e cujos nomes os anos já esqueceram. A esperança, porque representa para os Loriguenses de hoje o dever de transmitir às gerações futuras a fé que os antepassados legaram.

 

 

 

 

 

 

 

Publicado por: jpmsantos | 13/03/2009

Fontes de Loriga

As Fontes de Loriga. Esta vila está actualmente “inundada” de fontes, espalhadas em diversos pontos da povoação, onde toda a gente se pode deliciar com as suas águas cristalinas. Mas nem sempre foi assim. Numa região onde a água sempre existiu com grande abundância, noutros tempos a carência de fontes de água potável em Loriga era um facto. Nessa época já longínqua, esta localidade tinha apenas no seu perímetro duas fontes de água potável represadas, em que as pessoas mergulhavam indistintamente os seus cântaros, latões ou baldes, sem o mínimo respeito e sem os mais rudimentares preceitos higiénicos. p3130034Uma dessas fontes estava situada na Barroca, enquanto a outra estava no lugar onde ainda hoje permanece, conhecido por Fonte do Vale. Existiam outras nos arrabaldes, a que o povo chamava Regato, Teixeiro e Amores. No entanto, essas eram menos utilizadas por motivo da distância a que ficavam, como também pelo facto de as águas brotarem dos combros de propriedades regadias e filtradas pela terra.

No final do século XIX, o povo passou a aproveitar outros locais onde a água era potável, para assim se abastecer desse precioso líquido. Os emigrantes loriguenses sediados no norte do Brasil, mais concretamente em Manaus, não esqueciam as necessidades dos seus conterrâneos, apesar da distância. Pensaram então em levar a bom termo a iniciativa da construção de fontanários na sua terra natal, facto que viria a acontecer nos primeiros anos do século XX.

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Um fontanário foi edificado na rua principal, local conhecido pelas “Almas”, outro no Adro da Igreja e um terceiro na Rua do Porto. Construídos em locais estratégicos da povoação, a partir de então e durante dezenas de anos e gerações, tornou-se no meio de abastecimento de água que a população necessitava para o seu consumo. Entretanto, as casas que iam sendo construídas ou remodeladas passaram a ter abastecimento próprio com aproveitamento da água existente um pouco por todo o lado, por vezes canalizada através de longos percursos. No princípio da década de 1970, o saneamento básico foi levado a efeito em Loriga, trabalhos que se prolongaram durante alguns anos e onde a evidente impaciência da população viria a ser recompensada com um dos maiores melhoramentos efectuados na vila. Desta forma, as Fontes de Loriga deixaram de ter a mesma relevância que tinham tido até então. No entanto, mais de uma dezena de fontes continuam bem vivas e ficarão para sempre gravadas na história desta localidade e da sua gente, a saber: Fonte do Adro, Fonte das Almas, Fonte do Porto, Fonte do Amores, Fonte dos Azeiteiros (Penedo de Alvôco), Fonte da Senhora da Guia Nova, Fonte do Recinto da Senhora da Guia, Fonte da Casa-do-Fogueteiro (Recinto N.S. da Guia), Fonte do Mouro, Fonte das Penedas, Fonte do Reboleiro, Fonte de Santo António, Fonte do Vale e Fonte do Vinhô.

 

Publicado por: jpmsantos | 13/03/2009

Pelourinho

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O Pelourinho (século XIII reconstruído) encontrava-se erguido num pequeno largo de Loriga até finais do século XIX. Perdendo-se no tempo o motivo e a história da sua demolição, ficaram apenas uns poucos escritos e relatos verbais transmitidos através de gerações que deram sempre conta da existência desse monumento nesse local.

Segundo relatos, em 1881 ainda existia o Pelourinho de Loriga que se erguia em frente à casa da Câmara e Cadeia. Era encimado por pedra quadrangular, ostentando as armas da vila, tendo por base três degraus. Era também constituído por uma argola movediça de ferro forjado. Ao ser destruído, o Pelourinho primitivo fez desaparecer uma concreta definição estética do mesmo como também alguma parte da história de Loriga referente a séculos passados. Quando surgiu a ideia de reedificar o Pelourinho, foi necessário fazer um estudo aprofundado, no sentido de que a reconstituição fosse o mais fiel possível ao original. Apesar de serem poucas as versões existentes relacionadas com o Pelourinho de Loriga, a que parece mais credível é a versão escrita pelo Capitão Dr. António Dias que, na década de 50, se baseou nas informações orais de um velho operário que se lembrava muito bem do “poleirinho” e até inclusivamente lhe viu “cair a picota”. Esse trabalho foi valioso para a reconstituição deste monumento, feita a partir desta versão e a sua planta foi elaborada pelo Sr. Júlio Vaz Saraiva (ex-desenhador da antiga empresa Hidroeléctrica), “expert” na área dos pelourinhos.

A inauguração deste monumento foi concretizada no dia 1 de Agosto de 1998. Apesar de não ser o primitivo e de ser um monumento marcado negativamente na história de Portugal, é com satisfação que os loriguenses vêm aquele monumento, que fez parte da história antiga desta localidade e da sua população.

 

 

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Capela do Santo Cristo

igreja-de-loriga11A capela do Santo Cristo é também parte integrante da Igreja Matriz de Loriga e é assim designada por lá se encontrar a imagem de Nosso Senhor com a Cruz aos ombros. De pequena dimensão, tem uma porta principal virada para uma das ruas da Vila e outra porta de acesso directo à Igreja junto ao altar. É verdadeiramente expressiva a imagem de Nosso Senhor com a Cruz aos ombros, que Loriga se orgulha de possuir e que foi feita nesta vila, por um “artista” loriguense, que morreu ao contemplar a sua obra. Segundo uma lenda, o “artista”, ao acabar de esculpir a imagem, teria ouvido dos próprios lábios de Jesus estas palavras: – “onde me mirastes que tão bem me retratastes”.santocristo032

Esta capela foi uma mais-valia para o povo de Loriga, quando a população era muito superior, já que era para lá que muitas pessoas se dirigiam para assistir às missas ou outras celebrações, porque a Igreja Paroquial propriamente dita era pequena para tanta gente. Por esse motivo, foi feito um pequeno “palanque” num dos cantos, onde permaneceu até aos dias de hoje.

A imagem do Santo Cristo sai apenas e praticamente só pela altura da Quaresma.

 

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Capela da Nossa Senhora de Fátima

p3130030A capela de Nossa Senhora de Fátima, que faz parte integrante da igreja Matriz de Loriga é um local de recolhimento, onde se situa o Altar de Nossa Senhora de Fátima. Tem sido sempre conhecido como a “Capelinha” dedicada a esta Virgem. O altar moldado em madeira ornamentada e a beleza da imagem da Virgem ali presente fazem daquele pequeno espaço lugar de veneração e de oração. Tem uma porta de acesso directo à Sacristia e, por ser parte complementar da Igreja, não são celebradas missas ou outros cultos religiosos. Houve apenas algumas excepções, quando o Sr. Padre Lages, após ordem eclesiástica, deixou de poder celebrar missa no altar-mor. Durante algum tempo, este sacerdote passou a fazê-lo no altar de Nossa Senhora de Fátima. É também no altar desta capelinha que se encontra a imagem de Santo António desde que foi demolida a sua capela.

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Capela da Nossa Senhora da Auxiliadora

p3130038A capela da Nossa Senhora Auxiliadora, situada no local conhecido por Redondinha, faz parte do Solar com o mesmo nome e foi mandada construir pelo Industrial Augusto Luís Mendes, dono de todas as terras envolventes daquele local de Loriga. Esta capela destinava-se ao culto religioso particular e familiar. Foi construída nos primeiros anos do século XX, sendo benzida em 1907, pelo Arcebispo-Bispo diocesano, Dom Manuel Vieira de Matos, que na altura se encontrava de visita a Loriga. Apenas excepcionalmente esta capela chegou a estar ao serviço da comunidade loriguense, sendo normalmente o local em que os jovens se reuniam para a preparação da Profissão de Fé. No entanto, através dos muitos anos da sua existência e por ser particulnsauxiliadora3ar, não era um lugar de culto da população local. Só durante a época áurea da vida da família Augusto Luís Mendes, é que esta capela conheceu uma certa actividade religiosa. Ali eram realizadas missas, baptizados, casamentos, velórios e outros eventos religiosos. Estava também aberta, uma vez por mês, a toda a população que ali quisesse assistir à missa dominical. Durante estas últimas décadas esteve sempre fechada, havendo no entanto a preocupação da sua conservação por parte dos actuais proprietários, continuando a manter bem viva a memória dos respectivos antepassados, a quem esta localidade muito ficou a dever.

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Capela de São Sebastião

p3130060A capela de São Sebastião remonta há mais de dois séculos. Apesar de pouco se saber sobre a razão da sua construção, registos antigos relacionados com a década de 1750 referenciam a sua localização a “duzentos passos distantes da povoação no caminho para Valezim”, na qual não faziam festa ou romaria alguma. Segundo esta descrição, a capela ficava longe da povoação, se tivermos em conta a existência de outras capelas já a ficarem rodeadas pelo povoado, com eram os casos das capelas de Santo António e N. S. do Carmo.

Efectivamente, pensa-se ter existido uma boa razão para a construção de uma ermida naquele local. Os relatos antigos vêm dizer que, sendo o caminho e trajecto de Loriga para outras povoações, aquele local era um lugar aprazível, de descanso, onde corria abundante água. Ali, os viajantes paravam para descansar e, ao mesmo tempo, p3130064oravam pelo bom sucesso da viagem que estavam prestes a iniciar e aqueles que chegavam agradeciam o bom termo da viagem que tinham acabado de efectuar. A primeira capela construída em pequenas dimensões era o protótipo da ermida isolada em lugar de passantes, havendo até uma certa preocupação de a mesma ser resguardada o mais possível das más condições climáticas. O facto de ser edificada em honra desse Santo poderá estar relacionado com a circunstância de, nessa época, e um pouco por todo o lado, ser muito comum a veneração ao mártir São Sebastião, passando mesmo aquele lugar a ser assim chamado. Com os tempos, aquele local, bem como a capela, já foram cenário de muitas alterações. O caminho primitivo deixou de existir e, em consequência, a nova capela foi construída sobreposta à antiga.

Ao contrário das outras capelas existentes em 1758 que, com o decurso dos tempos foram ficando dentro da povoação de Loriga, a de São Sebastião, apesar de mais de dois séculos já passados, continua isolada, apesar do casario da Vila se ter aproximado.

A festa em honra de São Sebastião, por estranho que pareça, não se realiza na sua capela, mas sim na povoação. Houve tempos em que nem sempre era realizada, ao contrário do que acontece hoje, em que se realiza anualmente. É uma festa grandiosa e uma das maiores que se efectuam em Loriga. Tem lugar em Julho, em data o mais próximo possível da Festa da Nossa Senhora da Guia. Para além do acto religioso, é também efectuadacambeiro festa musical, que decorre na vila e que normalmente atrai sempre muitos visitantes. As mordomias anualmente nomeadas levam a efeito vários eventos, tendo ao longo do ano a preocupação de angariar receitas, não só para a realização da festa anual, mas também a obtenção de fundos para obras de restauro e conservação da Capela. Um dos eventos realizados em honra de S. Sebastião, em Loriga, é o tradicional peditório com o “Cambeiro” que se realiza anualmente em Janeiro.

Visitar a capela de São Sebastião é também importante, pelo seu valor histórico e cultural, fazendo mesmo parte do itinerário turístico desta localidade.

Publicado por: jpmsantos | 13/03/2009

Capela da Nossa Senhora da Guia

p3130070A capela da Nossa Senhora da Guia surgiu na segunda metade do Século XIX, mais propriamente em 1884. A ideia da devoção a esta santa foi trazida pelos “Cartagenos” (nome dado aos negociantes Loriguenses de lã), numa das suas viagens ao Minho. Nessa viagem, junto à foz do Rio Ave, viram uma ermida da Nossa Senhora da Guia (padroeira dos pescadores) e desde logo pensaram em fazer uma capela evocativa da mesma Virgem em Loriga.

Como nesta época começavam a sair muitos Loriguenses para o Brasil, a evocação escolhida foi a de Nossa Senhora da Guia – Padroeira dos Emigrantes, que mais tarde se estendeu a todos os que desta vila emigraram para os vários países da Europa na década de 60.p3130073

Nos primeiros anos da década de 1880, quando se procedia às obras da reconstrução da Igreja Matriz, destruída em consequência de um abalo de terra, a ideia da construção da capela da Nossa Senhora da Guia ganhou forma na mente do povo de Loriga, que era muito devoto, de muita fé e de muita coragem. O monte “Gemuro”, situado a nordeste da povoação a pouco mais de um quilómetro do centro da Vila, foi o escolhido por ser terreno plano, soalheiro e de boas vistas. No entanto, não foi uma escolha pacífica, originando muitos conflitos e confusões, que só o tempo viria a apagar. Este monte era uma passagem dos proprietários dos pinhais e servia também de caminho de acesso à freguesia da Cabeça. Ali se juntava o povo aos domingos, nas tardes de verão, facto que desagradava os proprietários daquelas terras e pinhais. Mas o povo, cada vez mais atraído por aquele local para os seus convívios familiares, de lazer e descanso, movidos pela ideia da construção da capela, começaram a derrubar os pinheiros e a terraplenar o terreno. Nem mesmo as autoridades administrativas locais conseguiram demover o povo do fim que tinha em vista, passando desde logo esse lugar a chamar-se Senhora da Guia. Em 1884, foi concluída a construção da capela feita de pedra de xisto. A primeira festa realizou-se a 6 de Outubro e, a partir desse ano, começou a ser realizada anualmente no primeiro Domingo de Agosto.

 Esta capela durou cerca de 40 anos e tinha a entrada principal virada para a povoação. Como aquele local era frequentemente assolado por ventos fortes e enxurradas de águas no inverno, o estado de degradação da capela acentuou-se. Em 1917-18, após mais de três décadas de existência e como não parecia oferecer segurança, constituiu-se uma comissão com a finalidade de dar início à construção de uma nova capela. Foi então demolida e, no seu lugar, edificou-se uma outra, que ficaria concluída por volta do ano de 1921. Esta capela, que chegou até aos nossos dias, com as medidas de 9,30 X 6,90 metros, tem, ao longo da sua existência, conhecido várias transformações, pelo que apresenta poucas snossa-senhora-da-guiaemelhanças com a inicialmente edificada.

Os relatos da época dizem que a festa realizada após a construção da nova capela foi de verdadeira emoção e alegria. Era então pároco de Loriga o Monsenhor António Gouveia Cabral e no rosto de todos os presentes era bem visível esse contentamento por terem proporcionado uma digna capela à Virgem que, do seu andor, parecia dizer ao menino que olhava sua Mãe – “Vê como meus filhos me amam”.

Apesar desta euforia, ao longo dos anos têm-se presenciado alguns conflitos entre o povo loriguense e as entidades paroquianas. O primeiro conflito surgiu em 1935, quando foi constituída pela primeira vez uma Comissão para organizar a festa, que até então tinha estado a cargo do Pároco. Esta Comissão publicou uma programação onde não constava nenhuma referência ao culto religioso. A situação provocou um contencioso entre o Pároco e os membros da Comissão, resultando no envio de uma carta ao Bispo da Guarda por parte do Pároco. Em resposta a essa carta, o Bispo incumbiu-o de adiar a festa até que fosse conveniente a sua realização.

Este contencioso prolongou-se durante quatro anos e, no ano de 1939, pela única vez na história, não foi celebrada a festa em honra de Nossa Senhora da Guia. Mesmo assim, em sinal de protesto, alguns populares lançaram foguetes na noite anterior à data da festa. Esta situação levou novamente o Pároco a informar o Bispo dos acontecimentos que, em resposta, fez chegar um comunicado onde pedia os pormenores do sucedido e os autores dos mesmos, ameaçando-os mesmo com uma possível detenção. Consta no entanto que, 15 dias volvidos, foi realizada uma celebração na capela em substituição da festa.

Já num passado bem recente, outra polémica foi levantada em torno da festa de Nossa Senhora da Guia, por causa de uma tradição de longos anos, o lançamento de fogo-de-artifício no Sábado da festa aquando da chegada da procissão à ponte. O padre queria proibir a paragem da procissão e o respectivo lançamento de fogo-de-artifício. Tal só não aconteceu porque a população se uniu e parou mesmo a procissão. No final do lançamento do fogo, todas a gente bateu palmas em sinal de satisfação e, de seguida, prosseguiram com a procissão.

Mais uma vez, esteve aqui presente a união da população para que uma tradição centenária e de grande importância nesta terra se mantenha e que continue a trazer à vila a massa humana a que, desde sempre, nos habituou.

O recinto de N. S. da Guia é, hoje em dia, a “coroa” da Vila de Loriga, verdadeiramente dp31300681igna de visita. Esta festa é a mais importante que se realiza em Loriga e a que mais visitantes atrai, nomeadamente os emigrantes loriguenses espalhados pelo país e pelo mundo. As mordomias nomeadas ao longo dos anos levam a efeito vários eventos com o intuito de angariar receitas, não só para a realização da festa anual, mas também para terem fundos para despesas pontuais, como obras e restauro da Capela, Coreto, Casa do Fogueteiro e ainda a conservação de toda a área envolvente do recinto e rampa de acesso.

Publicado por: jpmsantos | 13/03/2009

Capela da Nossa Senhora do Carmo

p31300522A capela da Nossa Senhora do Carmo, quase que passando despercebida, fica situada no centro do Bairro de São Ginês, muito bem guardada e protegida pelos moradores desse lugar pitoresco de Loriga. Esta capela continua a manter a firme postura de bairro, sendo bem patente o orgulho que os moradores locais têm nela. Vem de longe a existência da capela naquele local, sendo desconhecida a data certa da sua construção. Sabe-se, pelos poucos escritos existentes dessa época, que em 1758 já estava construída e já se fazia referência à dita capela, não titulada com o nome actual, mas sim a San Gens, pensando-se até que resistiu ao grande terramoto de 1755, que nesse ano assolou o nosso país e arrasou quase totalmente Lisboa. É certo que dificilmente se poderá saber a razão e a iniciativa da edificação de uma ermida naquele local, no entanto, sabe-se que a capela actual não é a primitiva, uma vez que, por estar em vias de ruir, teria que ser reconstruída. Mesmo assim, durante alguns anos, esteve só com paredes e telhado e, só depois de ser feito o altar, foi restituída ao culto em 1938. Para quem não saiba, muito boa gente poderá ser induzida no erro de que, a data de 1909, inscrita na fachada por cima da porta, corresponde à data da existência da capela naquele local. Na realidade, a data corresponde a uma de algumas reconstruções que esta capela foi sofrendo ao longo da sua existência. Supõe-se que a capela primitiva tenha sido construída no início do século XVIII e, embora não seja cenário de grandes festas em honra da sua Virgem, não é por isso menosprezada. Se recuarmos a tempos distantes, veremos que esta capela foi fundamental e de grande utilidade em situações infelizmente trágicas acontecidas nesta localidade. No século passado, mais precisamente em 1881, quando um novo tremor de terra se fez sentir na região da Beira, a igreja matriz viria a ruir e esta capela foi utilizada na realização de alguns actos religiosos. Já no século XX, aquando da grave epidemia (Tifo Exantemático) que aconteceu em Loriga no ano de 1927, foi improvisado um balneário na capela dotado com banheiras e água canalizada, para servir como hospital. Nesta altura, a capela estava praticp31300553amente desactivada religiosamente, pois apenas tinha as paredes e o telhado e essa adaptação a balneário foi importante na luta dessa epidemia. A capela de Nossa Senhora do Carmo é presentemente digna de uma visita, devendo fazer parte do roteiro dos visitantes de Loriga, que decerto não deixarão de admirar a beleza da imagem da Virgem na amplitude do altar em madeira ornamentada, bem como outras imagens antigas e de muito valor onde não poderia faltar o São Ginês, o patrono deste Bairro. É também uma capela que, apesar de antiga, respira modernidade, graças aos cuidados que os moradores do bairro lhe dedicam.

Actualmente, a festa em honra de Nossa Senhora do Carmo realiza-se de dois em dois anos, no dia 4 de Junho e foi levada a efeito numa organização conjunta entre os moradores deste bairro e do bairro das Penedas. A primeira festa realizou-se em 2000 e teve como momento mais alto a procissão, que percorreu as ruas da vila, sendo o andor transportado por elementos da GNR (Guarda Nacional Republicana). Ficou ainda registado o facto de o “velho” Terreiro da Lição ter sido cenário, pela primeira vez, de um concerto musical efectuado pela Banda de Loriga.

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